Da Teoria ao Picolé Perfeito

Laboratório de calor removido

Bancada didática da picoleteira montada sobre um carrinho de perfis de alumínio: compressor, condensador aletado e cartaz com o diagrama do ciclo de refrigeração
A picoleteira do Frigolino · bancada didática

Protótipo real dos alunos do Curso Técnico em Refrigeração e Climatização do IFSC Câmpus São José, apresentado na SNCT/MCC. É essa máquina que retira o calor calculado aqui embaixo.

IFSC Câmpus São José · Refrigeração e Climatização · SNCT/MCC

constantes aproximadas (água e gelo)

c líquido
4.186 J/(kg·°C)
L (fusão)
334.000 J/kg
c sólido
2.090 J/(kg·°C)
congela a
-2,5 °C

Física térmica · Ensino médio técnico

Quanto calor é preciso roubar de um sorvete para ele virar gelo?

A calda entra no congelador a 25 °C e só sai satisfeita a -20 °C. Escolha a massa abaixo e veja, em tempo real, quantos joules precisam sair — e em qual trecho da jornada eles saem.

Experimente

Mude a massa e veja o calor sair

Entrada do alunomodelo idealizado
kg
150 W

Tempo teórico t = Q ÷ P, sem contar perdas nem o tempo de o calor chegar até o banho.

Tempo estimado

27 min

Calor removido485,7 kJ por kg

Total para congelar 0,50 kg

242,8kJ

58,0 kcal67,5 Wh0,067 kWh
  • 1. Resfriar a calda líquida25 °C → -2,5 °C57,6 kJ23,7%

    Q = m · c · ΔT — o calor sensível derruba a temperatura.

  • 2. Solidificar a água da calda-2,5 °C constante167,0 kJ68,8%

    Q = m · L — calor latente: se retira energia e a temperatura não cai.

  • 3. Resfriar o sorvete já sólido-2,5 °C → -20 °C18,3 kJ7,5%

    Q = m · c · ΔT — agora com o calor específico do sólido.

Curva de congelamento

Onde a temperatura para de cair

Temperatura × calor retirado
302010-2,5-10-20°CPLATÔ IDEALIZADO: -2,5 °C CONSTANTE69% do total de calor-20,0 °C061121182243CALOR REMOVIDO (kJ)

Repare que o trecho horizontal é o mais comprido: enquanto a água da calda vira gelo, sai energia e a temperatura fica parada em -2,5 °C. É o calor latente no modelo simplificado, como se fosse uma substância pura.

A forma100% gelo
302010-2,5-10-20°C
500 g

-20,0 °C

3. Resfriar o sorvete já sólido · -2,5 °C → -20 °C

242,8 de 242,8 kJ já saíram

Passo a passo

A substituição dos números

Q₁ · Calor sensível — líquido de 25 °C a -2,5 °C

Q₁ = m · c líquido · ΔT

= 0,50 × 4.186 × [25 − (-2,5)] = 0,50 × 4.186 × 27,5

57.558 J57,6 kJ

Q₂ · Calor latente — solidificando a -2,5 °C constante

Q₂ = m · L

= 0,50 × 334.000

167.000 J167,0 kJ

Q₃ · Calor sensível — sólido de -2,5 °C a -20 °C

Q₃ = m · c sólido · ΔT

= 0,50 × 2.090 × [-2,5 − (-20)] = 0,50 × 2.090 × 17,5

18.288 J18,3 kJ

Total a remover

Q = Q₁ + Q₂ + Q₃

242,8 kJ

58,0 kcal · 67,5 Wh

Simplificação didática: adotamos o congelamento do picolé a -2,5 °C constante, como se fosse uma substância pura. A calda real é uma mistura de água, açúcares e outros ingredientes: congela numa faixa de temperaturas, sem um platô perfeitamente horizontal, e parte da água pode permanecer líquida mesmo a -20 °C. Mantemos os calores específicos da água e do gelo e o calor latente da água como aproximações; não são propriedades medidas da receita do banner.

Leitura da bancada

O que o número grande te ensina

69% do calor é latente

Nesta simulação, 69% do calor total sai sem nenhuma queda de temperatura. Quem esquece o termo m · L erra o exercício por uma margem enorme.

Dobrou a massa, dobrou o calor

A razão é sempre a mesma: 485,7 kJ por quilo. Uma forma de 1,2 kg exige 583 kJ, um pote de 0,5 kg exige 243 kJ.

Energia é uma coisa, tempo é outra

Retirar 243 kJ leva 27 min com 150 W. Por isso a picoleteira de banho dinâmico ganha do congelador: mesma energia, muito mais rápido.

Rápido é cremoso, devagar é pedregoso

Congelamento lento forma macrocristais que se sentem na mordida; a retirada ultrarrápida do banho agitado gera microcristais e textura aveludada.